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Texto por: Lorna Dannan

Me'erta - Décimo Soberano D'ni.
Período 1.779 D.E. - 5.877 a.C. a 2.015 D.E. - 5.641 a.C.
Ano de nascimento 1.748 D.E. - 5.908 a.C.
Ano de ascensão 1.779 D.E. com a idade de 31 anos.
Ano de sua morte 2.015 D.E. com a idade de 267 anos.
Conhecido como o Fraco.

Me'erta ascendeu ao trono com trinta e um anos, muito jovem para um D'ni. Infelizmente desde muito cedo Me'erta, demonstrou sofrer grande influência de sua mãe Jolatha. Muitos líderes de Guildas Maiores e principalmente líderes religiosos, temeram publicamente a nomeação de Me'erta como soberano. Eles acreditavam, e com razão, que Me'erta causaria grandes danos a frágil cultura religiosa D'ni. Este temor foi justificado anos mais tarde, pois o reinado de Me'erta, foi turbulento e cheio de escândalos. Na verdade foi sua mãe, Jolatha, mesmo depois de sua morte, que comandou o trono durante duzentos e trinta e seis anos. Me'erta não preocupava-se com os afazeres de um governante, pois passava a maioria do seu tempo satisfazendo seus prazeres mundanos.

Em 1.871 D.E. Me'erta propôs a construção do templo dedicado ao Culto da Árvore, foi a primeira vez que um soberano falou oficialmente e publicamente sobre a construção de um templo que não era dedicado a Yahvo. O fato agravou-se quando Me'erta, sugeriu que a linha do Grande Zero deveria ser modificada para passar sobre esta nova construção. Posteriormente ele foi demovido de tal idéia, pois tal mudança implicaria em modificações profundas nas construções já estabelecidas na Capital D'ni. Talvez Me'erta tenha temido uma revolta da população. A mudança da linha do Grande Zero contradizia as tradições há muito impostas por Ri'neref. De qualquer forma ficou claro para historiadores muitos anos depois, que a idéia de mudar a direção da linha do Grande Zero, pode ter sido apenas uma espécie de afronta vinda de Me'erta ou mais provavelmente de sua mãe Jolatha, ela desejava mudar o status co vigente e expandir a Capital D'ni.

Enfim o templo do Culto a Árvore foi concluído em 1.843 D.E. com forte oposição da população. Alguns anos mais tarde Me'erta autorizou a construção do Templo da Água e do Templo da Pedra Sagrada. Ambos foram terminados respectivamente em 1.876 D.E. e 1.902 D.E. O curioso é que Me'erta ordenou que todas as construções fossem realizadas por onde ele desejava que a nova linha do Grande Zero passasse. Estas construções e a abertura religiosa fez com que aparecessem centenas de cultos de todas as espécies entre os cidadãos, os religiosos acreditaram que D'ni jamais seria a mesma e Yahvo era cada vez mais deixado em segundo plano. O templo oficial de Yahvo estava ficando deserto e os pregadores e Profetas foram diminuindo e migrando para novos cultos antes considerados profanos.

Em 1.975 D.E. Me'erta propôs mudanças às regras do juramento da Guilda dos Escritores, a Guilda mais importante da sociedade D'ni. Ele desejava que as regras para a confecção de Livros de Ligação ficassem mais flexíveis. A proposta foi publicamente e dramaticamente contestada pelo resistente Mestre Tremal. Ele recusou-se invariavelmente a mudar o juramento confeccionado por Ri'neref e por Ailesh. Esta recusa porém custou a vida de Tremal. Muitos acreditam que ele foi assassinado por ordem de Jolatha. Anos mais tarde muitos viram a recusa de Tremal como uma das ações mais heróicas da história D'ni. - Discurso de Mestre Temas para os cinco Lordes do Conselho de Governantes D'ni 7.034 D.E. - Se as regras do juramento fossem mudadas, muitos acreditavam como Tremal dizia, que a trilha para os Terahnee não estaria muito distante dos D'ni. E é por isso que nós existimos.... Terahnee foi o nome dado ao grupo dissidente de Ri'neref em Garternay, quando este decidiu vir para Ae'gura e nomeou seu grupo de D'ni.

Depois que Tremal foi encontrado morto, a Guilda dos Escritores agora mais unida, recusou a proposta de Me'erta veementemente. Contudo Jolatha jamais desistiu de mudar as regras da Guilda. Em 1.999 D.E. ela convenceu seu filho a quebrar o selo da Tumba do Grande Rei. Ninguém sabe o que levou Jolatha a propor tal ato irresponsável, mas numerosas especulações surgiram anos mais tarde.

Alguns historiadores alegam que naquela época, ainda existia um pequeno grupo que acreditava que Ahlsendar o Grande Rei retornaria da tumba e Jolatha estava enfurecida com esta possibilidade, pois ela não admitia que o povo amasse outro que não a Me'erta e a ela, o poder deveria ser somente dela e de mais ninguém. Ela queria então provar que Ahlsendar era um impostor. Outros escreveram que ela queria ter acesso aos Livros de Ligação que estavam na tumba. Ela realmente levou alguns livros para o templo da Grande Árvore. Outros disseram que Jolatha estava possuída por Jakooth - a incorporação do mau para os D'ni - de qualquer forma ela conseguiu seu intento e quebrou o selo. O certo é que, em segredo, ela retirou alguns artefatos, livros e também parte da vestimenta do Grande Rei, levando todo este material para o templo da Grande Árvore.

Jolatha morreu dois dias depois de abrir a tumba. A Guilda dos Curandeiros não conseguiu identificar a doença que causou a sua morte. Os livros que ela tinha levado para o templo da Grande Árvore e todos os artefatos, foram devolvidos para a tumba e Me'erta ordenou que a mesma fosse novamente selada. Ele acreditou que a sua mãe trouxe uma maldição ao entrar na tumba. Qualquer menção do Grande Rei o petrificava de medo.

Me'erta era conhecido como um homem de grandes fraquezas e a maior delas era o sexo, ele nunca estava satisfeito, sendo uma espécie de ninfomaníaco. Ele morreu quinze anos mais tarde em relação a morte de sua mãe, na cama ao lado de uma de suas inúmeras amantes. A Guilda dos Curandeiros registrou que ele morreu devido envenenamento, ou seja, assassinado. Ele tinha duzentos e sessenta e sete anos na ocasião. Seu assassino nunca foi descoberto, embora houvesse numerosos suspeitos. Ele teve muitos inimigos. Sua esposa era uma das suspeitas por razões óbvias, seu filho, Gan, que desprezava o modo de vida do pai, também estava na lista dos investigados. Ironicamente foi para este filho, o mais velho, a quem Me'erta deixou o trono.

Devemos tentar ver os fatos de forma imparcial. Jolatha é o retrato da mulher do seu tempo na sociedade D'ni. A mulher D'ni não tinha muito espaço para divulgar as suas idéias e sua vontade, sua função básica era procriar e cuidar dos afazeres domésticos. Algumas afortunadas eram aceitas nas Guildas Menores, principalmente dos Healers - Curandeiros, e faziam o papel de enfermeiras, mas isso era uma exceção muito rara. Outras tinham a sorte de serem Profetizas, de qualquer forma sofriam a influência de seus consulentes, políticos poderosos ou soberanos, e muitas vezes submetiam-se sexualmente, por vontade própria ou não, aos caprichos de quem as mantinha. Jolatha era uma mulher voluntariosa e inteligente. Ela sabia onde queria chegar, e como não poderia assumir o cargo de governante usou seu filho para tal fim. Não é uma forma bonita de ser mãe. De qualquer forma ela incentivou o crescimento do culto a Grande Árvore, principalmente por se tratar de uma seita devotada as mulheres. Não fica muito claro nos textos do D.R.C., qual o papel dela neste culto, certamente ela deveria ser influente. Outro ponto interessante, é que aparentemente ela desejava introduzir as mulheres na Guilda dos Escritores, algo considerado uma blasfêmia entre a sociedade D'ni. Somente os homens podiam criar Livros de Ligação. O ambiente das Guildas Maiores era um lugar proibido para as mulheres. Mas talvez os fatos fiquem mais claros quando você ler o relato a seguir. Afinal Jolatha não era uma santinha...

História de Me'erta - Livro 28B - Primeiro Esboço.

Narrativa encontrada no Diário do DRC na Biblioteca Pública de Ae'gura.
Tradução preparada por Nick White e dependendo da revisão do Dr. Watson.

Na época de Me'erta, no centésimo nonagésimo sexto ano de seu reinado, Jolatha sua mãe, veio a sua presença em seu quarto. Todos sabiam na Cidade que Me'erta tinha desejo insaciável por mulheres e ninguém conhecia mais esta fraqueza - fraqueza literalmente - do que sua própria mãe. Assim Jolatha levou até seu filho uma bela mulher chamada Ramel, uma seguidora fiel do Culto a Árvore. A beleza de Ramel era incomparável e disso todos sabiam, tanto os seguidores da Árvore como entre os Reis. - Os reis no plural como na tradução original - talvez a mulher mais bonita de toda a história dos Reis.

Todos sabiam também que o Rei poderia ter qualquer coisa que desejasse, mas Ramel tinha sido estrategicamente afastada dele por sua mãe. Jolatha ofereceu Ramel ao seu filho em troca de alguns favores.

O Rei falou então: o que desejas de mim, quais são estes favores? Você pensa que sou tão tolo ao ponto de fazer qualquer coisa que você queira em troca desta mera mulher?

Naturalmente que não meu filho. Mas como você sabe e eu sei, você deseja Ramel há muito tempo. E você a observa há muito tempo. Você inclusive já falou com seus conselheiros a procura de uma solução para que ele fosse sua somente. Mas você não conseguiu aproximar-se dela, você foi incapaz de ficar tão próximo a ela até agora. E agora eu a trago para você. Então não pense que sou tão tola para acreditar que está é apenas uma mera mulher.

Você falou francamente. De fato enquanto eu olho para ela, devo admitir que eu nunca a teria imaginado tão bonita assim. Ela é como uma estátua que flutua. Mas é somente isso, você acredita que eu daria qualquer coisa que você me pedisse em troca desta mulher?

Sabiamente Jolatha usou a fraqueza de seu filho. E Me'erta ficou ansioso para possuir Ramel. Contudo Me'erta não queria dar o braço a torcer, pois sabia que teria que satisfazer os pedidos de sua mãe. Jolatha não desistiu, ela precisou atiçar mais a vontade do filho, para que ele não negasse nada a ela no futuro. Jolatha trazia todas as noites a mulher no quarto privado de seu filho, sabendo que teria o que quisesse de seu filho depois. Contudo Me'erta ainda não poderia possuí-la, pois Jolatha não permitiria até que seu filho mudasse de idéia. Muitas noites se passaram e Me'erta já não se satisfazia com suas outras amantes, pois nenhuma se comparava a Ramel. Finalmente ele não pode mais resistir aos argumentos de sua mãe.

Então Jolatha retornou ao quarto de seu filho com a mulher chamada Ramel. E o Rei começou a falar. Esta mulher arruinou minha vida. Não há nenhuma como ela em todas as minhas Eras, e você a traz noite após noite até meu quarto. Aquelas que eu encontrei parecem desvanecer em comparação com esta mulher e já não sinto mais prazer nas outras. Sendo assim, eu não ficarei satisfeito enquanto esta mulher não for minha. O que é que você deseja de mim? Qualquer coisa que você quiser eu te darei. Você tem minha palavra.

Muito bem meu filho. Eu irei falar com você amanhã.... E Jolatha entregou a mulher Ramel, a seguidora da Árvore, para seu filho. E Ramel foi de Me'erta desse dia em diante.

No alvorecer do dia seguinte Jolatha veio até Me'erta, quando este ainda estava dormindo e disse o que desejava. A Guilda dos Escritores possui regras muito antigas, regras seguidas há muito tempo, suas limitações e seus antigos juramentos. Mas você meu filho, dirá que este juramento já está ultrapassado para nosso povo. Ri'neref é como um colar em torno de nossas gargantas, aumentando e nos apertando, e impedindo que nos movamos para frente. É hora de livrarmos destes antigos costumes.

Me'erta ficou perturbado. Mas ninguém irá concordar com isso. O juramento está escrito em pedra e nunca foi alterado e nem poderá ser. No entanto você não somente pede que eu mude o juramente, mas está contradizendo tudo que o juramento significa?

E Jolatha ficou muito irritada. E por acaso você é um tolo? Você pensa que eu estou pedindo algo impossível? Esta é uma das coisas que devem ser mudadas. Uma coisa que nos dará a liberdade. Foram os D'ni que criaram a Arte e não Yahvo. Isso é o lógico. Assim desde que é verdadeiro, somos nós que devemos determinar as regras da Arte e não pergaminhos religiosos antigos.

Irão crer que isso é uma blasfêmia. O Rei respondeu. Mas farei o que você me pede.

E assim Me'erta foi falar na presença da Guilda dos Escritores. E ele impressionou os membros da Guilda. Suas palavras foram eloqüentes por que Jolatha o instruiu com fortes argumentos. O esforço dele era contínuo, pois ele não imaginava perder Ramel. Ele a desejava acima de tudo. Apesar de muitos membros terem sido convencidos pelas palavras de Jolatha através do manipulável Me'erta, um dos mais sábios não concordou com tal argumentação, seu nome era Tremal. A decisão dele era dura e definitiva. A palavra está escrita em pedra, e desta forma ela é, sólida e irremovível. Nós nunca mudaremos o juramento de Ailesh. Nós nunca mudaremos o que foi propagado por gerações. Não quebraremos as barreiras que poderão abrir a nossa Guilda. Para isso é que existiu Terahnee. Mas não foi Terahnee a razão de nossa existência? - É isso que separa os D'ni dos Terahnee o juramento de Ri'neref e Ailesh: os D'ni servem as Eras e não são as Eras que devem servir os D'ni.

Tremal podia ver claramente os planos de Jolatha ganharem vida através das palavras do Rei. E Tremal sabia que se os antigos preceitos religiosos, não estabelecessem uma ordem, os corações dos homens é que governariam e não haveria nada para deter as ambições de Jolatha.

E assim durante três dias Tremal rebateu os argumentos do Rei. E por três dias Me'erta retornou ao palácio para receber novas instruções de sua mãe. E por três dias a raiva de Jolatha cresceu ao ponto de deixá-la fora de controle. No quarto dia, quando o Rei seguia para a Guilda, ele recebeu a notícia que Mestre Tremal havia sido encontrado morto, com o corpo coberto de sangue, pendurado em uma árvore. O Rei aparentemente ficou triste ao ouvir a notícia, pois no fundo Me'erta não tinha nada contra Tremal. Mas quando Jolatha ouviu a notícia ela ficou regozijada de alegria, pois ela acreditava que agora o Rei poderia mudar as regras da Guilda dos Escritores.

Após a morte de Tremal os outros membros da Guilda ficaram mais inspirados. Eles se uniram ainda mais e acreditaram que algo mau havia matado o Mestre, o que significava que se eles mudassem as regras, talvez algo os matasse também. Então o juramento nunca foi alterado e o assunto não foi mais discutido. Então Jolatha teve que direcionar seus planos para outro alvo, pois sabia que não poderia mais alterar as antigas regras.

Então com o tempo Me'erta acabou satisfazendo-se com Ramel, até que ele enjoou dela e começou sua rotina de satisfação com todas aquelas que visitavam o seu quarto. E enquanto Me'erta estava extasiado e satisfeito, Jolatha continuava seus planos de maldade e a Cidade D'ni cresceu em meio a fraqueza de seu Rei.

Conheça o Décimo Primeiro Rei.
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Para entender alguns dos termos usados neste texto leia a introdução sobre a História D'ni. As siglas: DRC D'ni Restauration Council, BE Before Earth, D.E. D'ni ERA, foram retiradas dos textos dos Diários do DRC. Este texto tem como base as informações encontradas no Livro do DRC na Câmara Real em Ae'Gura. A respeito das informações sobre História de Me'erta favor ver o Diário da DRC na Biblioteca Pública de Ae'Gura.

Texto por: Lorna Dannan.
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