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Crônicas - Diários de Atrus - Era Rime.

Texto e tradução livre por: Lorna Dannan.

Diários encontrados nos jogos da Série MYST - Real MYST.

Encontrado somente no Real MYST.
Biblioteca no centro da Ilha MYST.
Terceira prateleira de madeira da Biblioteca.

Características:
Escrito por Atrus.
Descreve a Era Rime criada por Atrus.
Dividido em doze páginas.
Escrito a mão com desenhos da Capital D'ni.
Capa azul decorada com representação de rochas.

Sobre a tradução:
Incluí alguns comentários e especulações.
Esta tradução é livre e cabe correções se necessárias.
Clique aqui para voltar ao índice dos Diários de Atrus.


Início do Diário.

...Rime, eu dei este nome a ela. Uma Era desolada e com uma beleza característica, um pouco diferente do que eu poderia imaginar. A forma como os flocos de gelo caem do céu é uma inspiração para mim. Mesmo com o frio que faz aqui, eu sinto que posso sentar e observar toda aquela neve por horas. Eu nunca tinha vivido uma experiência como esta, mesmo assim notei que acabo encontrando prazer com esta mudança de temperatura, diferente de qualquer outro lugar que eu tenha visto antes.

Talvez seja algo neste silêncio. Ás vezes a ventania pára e este silêncio sufocante paira por todo o lugar, apenas entrecortado por gritos desconhecidos vindos de criaturas invisíveis que devem estar muito distantes daqui.

Eu já estive aqui três vezes e agora eu sei que esta Era pode providenciar o clima que eu necessito. Eu creio que a temperatura baixa irá facilitar minha busca pela ressonância exata. Examinando a estrutura dos Livros de Ligação, eu fico cada vez mais perplexo, mas eu me mantenho no caminho para o entendimento. A Grande Árvore de Possibilidades não tem este nome por acaso, eu preciso apenas tentar encontrar uma lacuna em particular, a trilha exata.

Em todo o caso e a luz dos acontecimentos, eu preciso encontrar também a razão das misteriosas formações de luzes que ocorrem no céu desta Era. Eu nunca acreditei que rapidamente eu pudesse construir algo neste lugar, principalmente devido ao clima, mas a velocidade das construções está de certa forma me desapontando. Creio que terei que trazer Sirrus e Achenar com alguns dos equipamentos de Selenitic.

...Achenar escolheu ficar um tempo com Catherine, mas Sirrus ficou muito interessado em vir comigo. Ele passou os últimos dias aqui, me ajudando com as primeiras fases das construções. Ele parece gostar muito deste clima frio e silencioso. Ele ficou muito admirado com os cristais que eu trouxe conosco. Ele me dará uma grande ajuda, com os outros cristais, e eu espero começar meus experimentos o mais rápido possível.

...A noite eu e Sirrus encontramos um grande facho de luz, contudo de uma hora para outra ela decidiu esconder-se de nós. Depois de estarmos sentados no frio durante duas horas, acabamos por não ver mais nada. Ficamos um tanto desapontados. Eu e Sirrus voltaremos para MYST amanhã. Ele tem me ajudado imensamente e eu estou muito grato por sua assistência prestativa. A parte mais difícil da construção está terminada. Amanhã eu decidirei onde instalar algum tipo de posto de observação. Eu o terminarei o mais rápido que eu puder. Eu estou certo que depois deste pequeno atraso, poderemos começar os trabalhos com mais rapidez.

...Eu decidi parar um pouco com as construções. O túnel está quase completo. E eu já posso criar um espaço temporário para que os cristais não possam ser estimulados ainda. Eu estou quase convencido que com a ressonância certa, eles poderão sofrer a refração exata para os fins que necessito, para que as propriedades da tinta possam ser simuladas. Catherine ainda crê que minha teoria em construir um mecanismo para ver as Eras através de pedras seja absurda. Mas seu pessimismo não usual, não me convenceu a parar de tentar. Eu quase obtive sucesso em Everdunes.

Eu estou quase certo que a temperatura baixa local, afeta o desempenho dos cristais, mas a temperatura sozinha, não faz as coisas acontecerem. A temperatura desencadeia um sistema simpático para harmonizar, mas um supressor ativo ainda é necessário. Eu necessito de alguns geodésios puros com uma clareza interior única. Eles precisam ser finamente lapidados, com desenhos diferentes, os quais poderão dar a estabilidade necessária para amplificar a freqüência de uma forma limpa e clara. Depois de algumas experimentações com formatos e cores diferentes eu fui capaz de capturar uma imagem meio borrada do Livro. O Elo de Ligação nunca funciona, por outro lado, há uma clara imagem de uma Era. Eu mal posso esperar para voltar para falar com Catherine. Eu creio que parte do trabalho de minha observação foi finalizada. E eu espero terminar o poço para meu observatório. Enquanto isso eu trarei minhas máquinas para cá, talvez eu inicie amanhã pela manhã.

...As luzes estavam lindas ontem a noite. Mas elas não aparecem por muito tempo de forma espontânea. Eu gostaria de observá-las por mais tempo, eu quase tinha esquecido como elas eram lindas. Eu ainda tenho que descobrir a causa delas sumirem tão rápido.

...Eu me sinto quase derrotado por todas estas ruínas. Os cristais ainda não estão perfeitos, o poço ainda não está terminado, nem o posto de observação e nem o laboratório. Eu não vejo Catherine há um longo tempo, e faz muito tempo que não passo alguns dias com Sirrus e Achenar. Me sinto derrotado. Mas apesar de tudo isso, há algo em minha mente, algo de nosso povo, de nossa cidade perdida. Eu sonhei com eles novamente na noite passada.

Eu estava na Cidade que estava em condições deploráveis, mesmo assim ela continuava bela em suas construções. Ainda agora, eu visualizo sua majestade, mesmo depois da destruição causada por Veovis e A'Gaeris, isto é inacreditável, me fascina e ao mesmo tempo me deixa muito triste. Eu acredito que D'ni não está morta como meu pai acredita. Eu acredito que existem D'ni que conseguiram escapar para locais distintos, conseguiram sobreviver em Eras separadas.

Dentro de mim nasce um sentimento de voltar para D'ni para encontrar estes sobreviventes e provavelmente conseguir construir nossa cidade. Talvez eu não possa fazer nada até eu ter certeza do destino de meu pai. Se meu plano falhou, se eu perdi um único Livro quando eu o prendi em Riven, então ele pôde ter se libertado daquela Era. E se isso for verdade, eu estarei entre ele e todas aquelas Eras. Eu preciso escrever um Livro de Ligação que conecte D'ni a MYST. Tanto quanto eu gostaria, de retornar a D'ni, não posso voltar sem saber a real localização de meu pai, eu não posso me arriscar a restabelecer esta ligação com ele solto.

...Eu devo observar meu pai sem restabelecer esta ligação. Já faz anos, e devem existir muitos becos sem saída, mas eu tive um sucesso parcial. Agora eu preciso manejar o dispositivo para poder ver outra Era usando os cristais. É só uma questão de tempo até poder ver Riven. Pelo menos eu assim espero...

Catherine terá suas próprias idéias sobre tudo isso e estou sentindo muito a falta dela. Eu irei retornar a Rime mais tarde, quando minha mente estiver mais clara.

Observações:

Este Diário é muito interessante. Na primeira parte ele fala de uma Era que estava completamente deserta e que era desconhecida dos fãs de MYST. Haja vista que ela apenas foi introduzida visualmente a partir do Real MYST, sendo apenas citada por Atrus no Diário de Riven, ela também representa a porta de entrada para a outra aventura da série, ou seja, Riven. Na segunda parte do Diário, Atrus fala abertamente de seu pai. Nota-se uma certa preocupação sobre a situação e a localização de Gehn. Mas algo me chamou a atenção. Este jogo foi lançado após o Riven, e claro, os produtores devem ter aproveitado a existência de Riven, para fazer uma espécie de conexão com a história de MYST, como já ocorre no livro MYST Reader ou no Book of Atrus. Isso também explicou muitos aspectos da aventura, e o do porquê Catherine, estar ansiosa para voltar a sua terra natal. Ela obviamente viu a imagem de Riven no dispositivo de cristais de Atrus. Outro ponto interessante é poder entender de forma superficial, é claro, o funcionamento do dispositivo de visualização e do porquê ele necessitar de cristais de diversas formas e cores.

Sobre a civilização D'ni: em nenhum momento creio que Gehn pensasse que D'ni estava morta em definitivo, na realidade ele pensa em reviver o passado de glória de sua civilização natal. Claro que a intenção dele não fica clara em Riven, e sim apenas no livro sobre a série. De certa forma tanto Atrus como Gehn querem a mesma coisa, ressuscitar D'ni, contudo agem de forma diferente, ambos pensando que seu próprio ponto de vista é o correto.

Para quem jogou MYST IV Revelation, fica mais fácil de entender a partir dos relatos deste Diário, o apego de Catherine por Achenar. O filho mais velho aparentemente passava mais tempo com sua mãe, enquanto Sirrus dado as ciências e necessitando muito da atenção paterna, preferia viajar com Atrus. Creio que esta convivência mútua, mesmo que rarefeita, tenha influenciado muito a vida e o comportamento de Sirrus. Atrus por outro lado, mesmo alegando sentir falta da esposa e dos filhos, parece estar meio alheio as obrigações familiares, ele renega tudo para simplesmente dar vazão a sua fúria por conhecimento e aprendizado em suas Eras, ele parece estar em um devaneio perpétuo, o sentimento de poder que tem nas mãos nunca o satisfaz por completo e ele sempre deseja ter mais e mais do conhecimento da Arte D'ni.

Outro ponto interessante é ver um dos primeiros desenhos, creio eu, de Ae'Gura feitos por Atrus em um dos jogos da série. No livro Book of Atrus, ele faz referência a cidadela e a desenha em seu Diário - veja aqui. Neste Diário porém, o desenho é um pouco diferente, ainda tenho dúvidas se a montanha lapidada refere-se a K'veer, que também tem aquela construção com um teto arredondado em sua orla, ou a própria Ae'Gura vista em um ângulo diferente. O desenho da ilha K'veer com sua montanha de rocha lembrando as curvas chanfradas de uma perfuratriz, no Book of Atrus é um tanto diferente do desenho apresentado neste Diário.


Desenho de K'veer no Book of Atrus.

Final do Diário.

Diários de Atrus. Estes diários são a fonte mais importante de informação da Série MYST, e do enredo envolvendo a família de Atrus. Nos diários é possível ler desde acontecimentos privados até relatos sobre a construção de determinadas Eras. Um dos diários mais interessantes é aquele encontrado em MYST III Exile, onde Atrus, escreve sobre a excursão feita até as ruínas da Cidade D'ni e a construção da Era Releeshahn. Através destes diários também é possível traçar um perfil do autor e de sua família, principalmente nos trechos que narram as ações de seus dois filhos, Sirrus e Achenar. Enfim, além de tudo isso, também é possível encontrar muitas pistas sobre qual o procedimento que o jogador deve tomar em cada um dos jogos da Série.

Texto e tradução livre por: Lorna Dannan.
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