Texto e tradução livre por: Lorna Dannan.
Diários encontrados nos jogos da Série MYST.
Início do Diário.
Antes de eu chegar nesta Era eu estava determinado a iniciar uma aventura diferente das
quais eu já tinha vivido em outras Eras. E realmente foi isso que ocorreu.
O céu neste lugar é sempre cinza e escuro e incessantes relâmpagos brilham a distância no horizonte. A primeira pessoa que eu
conheci foi um homem muito velho, que tinha uma barba e os cabelos muito longos, ambos atingiam sua cintura de tão compridos. Ele também era muito fraco e tinha muita
dificuldade em locomover-se. Este homem obviamente tinha visto e vivenciado muitas coisas neste mundo estranho. E eu esperava aprender muitas coisas com ele.
Ele contou-me uma história muito interessante, uma história deste mundo. Anos atrás, ele me disse, havia uma bela cidade que
surgia sobre as águas. Ela abrigava muitas pessoas no interior de suas muralhas, e o povo fazia de tudo para cuidar de sua bela cidade. A cidade estava cercada por três
belas e altas colinas, que erguiam-se tão altas quanto a própria cidadela central.
Na colina que ficava a Leste da cidade, foi construído um enorme posto de observação. Os habitantes esperavam ver possíveis
visitantes, que vinham do Leste. Contudo a população nunca tinha ouvido falar de viajantes que provinham do mar. Mesmo assim eles simplesmente esperavam por viajantes
amigáveis ou estrangeiros perdidos.
Então o tempo passou e alguns viajantes amigáveis apareceram, os mesmos, avisaram que existia um inimigo que morava além do horizonte.
Os rumores cresceram e o povo começou a temer os visitantes, mas nada aconteceu por algum tempo. Um dia o céu que era de um azul intenso e mostrava um sol brilhante, começou a
escurecer e ficou como noite, ao mesmo tempo um Navio Negro surgiu no horizonte. Os vigias do posto de observação eram pacíficos e foram atacados, a única coisa que os
habitantes fizeram foi seguir de volta para a cidade central. O posto foi facilmente tomado pelos inimigos. O Navio continuou em direção a cidade, aparentemente
destruindo a todos e a tudo em seu caminho. Depois que as fundações da cidade foram destruídas, ela começou a afundar no oceano e apenas um pequeno posto ficou visível. Então
o Navio Negro foi embora.
O homem continuou dizendo que apenas oito pessoas sobreviveram. Eles conseguiram manter o pequeno posto escondendo-se após o ataque.
Após nove anos do primeiro ataque, dois dos sobreviventes morreram. Ele também disse que os rumores falavam a respeito da volta dos inimigos após dez anos do ataque...
O inimigo retornará para finalizar a destruição que eles tinham iniciado anos atrás.
Após ouvir a história fantástica deste homem, eu decidi fazer algo. A admirável vontade de salvar esta civilização e impedir o
inimigo de concretizar o plano de destruição me contagiou. Eu fiquei muito ancioso e mal podia esperar para participar desta aventura. Uma idéia surgiu em minha mente e eu
decidi providenciar os meios para estes habitantes defenderem-se do inimigo. Eu me encontrei com eles hoje, e logo comecei a trabalhar em um plano para a proteção de todos.
...Depois de um curto período de ausência, eu voltei a esta Era com meus dois filhos.
Eles raramente viajavam comigo e não entendiam meu entusiasmo em visitar este lugar. Eles cresceram muito desde que tinham visitado
Everdunes e já era óbvio para mim, que eles poderiam ser de grande ajuda agora, mesmo que não tenham se mostrado de início, contentes
em vir para este lugar.
Nós três com mais quatro sobreviventes, o quais tinham melhor saúde, começamos a construção de um posto fortificado. A construção foi
estabelecida em cima das ruínas da antiga cidade, que forneceria a perfeita base para nosso forte.
...Meus filhos, Sirrus e Achenar,
passaram muito tempo vasculhando a ilha Sul, onde a maioria do meu material foi estocado. Eu estou muito admirado com a inteligência deles e com sua criatividade, é motivante
ver como eles são capazes de trabalhar em pequenos projetos por conta própria.
...Já faz quatro meses, e a construção esta indo bem. Meus filhos amam o trabalho, com exceção do céu que é sempre cinza. Eles
sempre me dizem que desejavam que o céu fosse igual ao céu azul da Ilha MYST. O velho homem, o primeiro habitante com quem falei disse
que em quatro meses o inimigos chegarão. Eu sinto que estaremos prontos quando a hora chegar. O homem me lembrava Emmit de várias formas
e eu especulei como Emmit e seu povo estavam indo.
...Já faz seis meses desde que começamos nossos trabalhos e nós finalmente terminamos o forte. Ele está construído sobre
as três colinas altas, que agora não passam de três ilhas que sobraram após o aumento das águas desde do primeiro ataque. Dentro do forte. Eu elaborei o mais intrigante
dispositivo o qual eu já criei. Ele usa uma tecnologia que eu denominei de holográfica. Eu havia começado meus primeiros experimentos a respeito em minhas visitas em
Aspermere e ele funcionou.
Poucos dias depois eu tive de compensar os pequenos erros de cálculos necessários para ele funcionar aqui. Este dispositivo
holográfico será necessário para que os habitantes aprendam a usar o forte.
O inimigo está mais próximo, e eu acredito que o forte irá providenciar a segurança necessária para proteger a todos nós.

O Navio Negro chegou. Seu ataque foi substancial, mas suas armas cessaram e eles aparentemente partiram em retirada.
Eu não pude ajudar, mas um sorriso surgiu em meus lábios enquanto eu via os botes fugindo. Na última noite fizemos uma pequena celebração e os antigos sobreviventes dançaram
suas velhas danças. Meus filhos não entenderam porque o céu, ainda assim, não transformou-se do cinza para o céu azul que existia originalmente.
O velho homem disse a eles que as tempestades irão continuar até que o inimigo seja destruído. Eu assegurei aos meus filhos,
que o céu não representava um risco de morte e eles assentiram ao olhar para cima.
Eu tive uma grande aventura aqui e desta forma eu comecei a trabalhar em meu novo Livro.
Uma vez mais, eu devo deixar uma Era que já me é familiar, para procurar um novo universo e começar tudo novamente. Mas primeiro eu preciso
passar algum tempo com Catherine, eu sinto muito falta dela. Eu também devo voltar ao povo de Tide.
Eu acredito em meus viajantes, eu encontrei aqui uma substância, que neste caso, fez com que a dor e a doença se transformassem em meios mais duradouros de vida. Eu espero
retornar a Era Mechanical, espero encontrar um dia uma população crescendo em meu poderoso forte. Eu estou confiante... E mesmo que
o céu possa a vir ficar negro novamente, este povo terá como lidar com isso mais facilmente.
Observações:
Neste Diário Atrus cita três Eras,
Everdunes, Aspermere e Tide, no caso desta
última, fiquei em dúvida sobre a tradução, pois no contexto quando ele diz: people of Tide, a frase pode significar o Povo da Maré, e deste modo pensei
também no povo de Stoneship.
É interessante notar como Atrus regozija-se dos feitos dos filhos, que neste período
parecem estar no final da adolescência, e sendo assim já tendo conhecido Channelwood. Outro tópico que me deixou intrigada é o
fato de Atrus não falar muito sobre o segundo ataque, o qual o forte foi o protagonista principal. Ele não cita armas, ou bombas,
e mesmo assim o Navio Negro foi debelado e seus tripulantes fugiram em botes. Mas ele não explica como os nativos atingiram o inimigo.
A mesma insígnia que aparece no Diário de Atrus para denominar a bandeira do Navio Negro, é a qual está estampada
em um dos lenços de Sirrus, que está na gaveta do armário em Stoneship.
Também é interessante notar que Atrus cita a tecnologia holográfica como criação sua.
Talvez no início da confecção de MYST, como o primeiro jogo da saga, isso seja verdade, mas a medida que conhecemos a tecnologia
D'ni, tomamos ciência, que tal tecnologia já era dominada pelos antepassados de Atrus.
Há uma tela holográfica na salão central do Santuário do Observador. E aparentemente a tecnologia de holovisores já estava difundida na
Grande Caverna, é fácil ver dispositivos holográficos no Bar Kahlo, nos distritos de
Bevin e Kirel, na Era Gahreesen e até mesmo nas salas de
descanso do Grande Eixo.
Novamente tomamos ciência da intrigante inserção de habitantes em uma Era que aparentemente
não deveria ter habitantes. Isso aconteceu em Stoneship. Mais uma vez teremos que recorrer a teoria da
Árvore de Possibilidades, muitas vezes quando um escritor de Eras diz ter criado um mundo, isso não
significa que ele criou o mundo em si, mas sim que ele criou uma ligação com algo pré-existente, algo criado por Yahvo. Então
nestes casos a Arte não é a criação de um mundo do nada, e sim apenas uma conexão com outro lugar, um outro universo ou uma outra dimensão.
Aparentemente Sirrus e Achenar não
demonstram muito interesse por Mechanical. A princípio apenas seguem seu pai para ajudá-lo. Contudo anos depois esta seria uma das
bases mais equipadas dos dois filhos de Atrus. De qualquer forma na época em que se passa MYST, primeiro
jogo, os inimigos já tinham sido debelados há muito tempo, pois o céu não está mais cinzento e sim azul.
Para saber mais veja o Mapa de Mechanical
e leia a introdução de MYST I ou do Real MYST. Também leia sobre o FAQ de MYST I.
Final do Diário.
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Diários de Atrus. Estes diários são a fonte mais importante de informação da Série MYST, e
do enredo envolvendo a família de Atrus. Nos diários é possível ler desde acontecimentos privados até relatos sobre a construção de
determinadas Eras. Um dos diários mais interessantes é aquele encontrado em MYST III Exile, onde
Atrus, escreve sobre a excursão feita até as ruínas da Cidade D'ni e a construção da
Era Releeshahn. Através destes diários também é possível traçar um perfil do autor e de sua família, principalmente nos trechos que
narram as ações de seus dois filhos, Sirrus e Achenar. Enfim, além de tudo isso, também é possível
encontrar muitas pistas sobre qual o procedimento que o jogador deve tomar em cada um dos jogos da Série. |