Texto e tradução livre por: Lorna Dannan.
Diários encontrados nos jogos da Série MYST.
Início do Diário.
...Passou algum tempo até eu poder desfrutar do silêncio e da grandiosidade deste lugar. Eu pensei por alguma razão que não sei
explicar, que não era bem vindo neste novo mundo, o qual eu acabara de chegar. Mas como eu não poderia ser bem vindo em uma Era inabitada?
Somente em minha cabeça mesmo.
Este mundo é muito bonito. Mas eu acho que ainda não escrevi nenhum Diário, sobre alguma
Era que eu tenha visitado, que fosse horrível ou escabrosa. Aqui há belas colinas gramadas. De onde eu estou posso ver um campo verde colina
abaixo, e mais a frente há uma barreira de árvores protegendo toda a planície. Mais além há um enorme lago com águas paradas, mas eu sei, que a esta distância a água azul parece
calma de qualquer jeito. A brisa é fresca e o céu é salpicado com nuvens brancas. É de tirar o fôlego. Mas mesmo assim eu começo a ter aquele estranho sentimento novamente.
Talvez seja o vento quente que continua chegando do Norte. Ou talvez ainda seja minha imaginação, pelo menos quando este vento morno toca minha pele me dando uma sensação um
tanto desconfortável. Mas eu tento ignorar esta sensação.
A noite está chegando e o pôr-do-sol é espetacular. Laranja e vermelho se mesclam no horizonte do Oeste. Durante a noite o horizonte
continua mesclado com o tênue brilho vermelho do pôr-do-sol. O vermelho vai ficando mais escuro até desaparecer na escuridão do anoitecer. Novamente aquele sentimento de não
ser bem vindo, e agora creio que não seja mais a minha imaginação. Mas eu devo dormir para reunir minhas forças e poder explorar mais amanhã.
Eu devia ter voltado para casa antes de ser testemunha do mais improvável e amedrontador fenômeno natural pelo qual eu já passei. Eu
fui acordado, sacudido por tremores, ensurdecido por explosões que sacudiam tudo a minha volta. Gigantescas bolas de fogo caíram do céu e rapidamente senti medo por minha vida.
Eu devia lembrar de trazer outro Livro de Ligação para MYST comigo, no caso do primeiro
Livro sofrer algum dano ou ser destruído.

Posteriormente eu retornei a um mundo completamente diferente do primeiro. Eu tinha deixado o lugar apenas há três meses. O lugar
foi transformado em um grande deserto ermo cheio de grandes crateras, estranhamente os nacos de grama onde eu tinha passado aquela noite na colina, continuavam intactos. Eu
descobri depois que os meteoros não caíram naquela área, deixando um pequeno oásis central, rodeado de uma grande área deserta e destruída por crateras e uma horrível desolação.
O vento quente ainda soprava de vez em quando, deixando muito estranha a brisa calma e prazerosa, que antes rondava todo o lugar. Isto pelo menos ainda não tinha mudado. Creio
que seja a única coisa que continua igual.
O magnífico lago que eu vi durante minha primeira visita foi completamente drenado e ficou seco. Contudo outro lago apareceu, muito
maior. Eu acredito que a queda dos meteoros, criou apenas um grande lago onde existiam dois, e as rochas que ficaram elevadas, criaram uma espécie de orla circular dando a volta
na massa de água. Ao mesmo tempo uma ilha de rochas surgiu no centro do lago. O resto deste mundo me parece completamente deserto, mas irei inspecionar todo o perímetro
pessoalmente e com cuidado. Apesar de tudo, este mundo ainda oferece a mim um interesse inexplicável. Os sons estão por todo o lugar, basta ficar com as orelhas atentas. Os sons
toda a hora vem em minha direção e eu fico procurando de onde eles se originam. Eu creio, pelo menos Catherine sempre diz isso, que eu
acabo encontrando beleza em tudo.
Na última noite eu estive caminhando na borda de uma horrível fenda, o calor era intenso e eu procurei descer no local para tentar
esfriar minha cabeça, mas foi em vão. A brisa quente tinha retornado e espalhava-se por toda a minha volta, parecia brotar diretamente do chão. Eu andei pelo local e pude
observar algumas chamas vermelhas crepitando no interior da terra. O chão rachou criando uma fenda enorme, sendo difícil atravessar a grande rachadura, que seguia por uma
grande distância. De qualquer forma eu decidi usar esta fonte de calor ao meu favor. Talvez o calor emanado por esta fenda possa ser usado e canalizado.
A fenda abriu também outra possibilidade, um novo mundo para ser explorado no futuro. Infelizmente um pouco quente, então eu vi uma
área obscura mais no fundo, como a entrada de uma caverna resguardada pela fissura. E eu pude vasculhar as profundezas deste planeta. Depois de algum tempo eu encontrei um
vasto e complexo sistema de cavernas, que levará anos para ser mapeado e explorado. Eu irei procurar um local seguro para construir um paredão próximo ao local da fissura.
Esta Era parece sofrer mudanças inesperadas por conta própria, eu creio que se eu for embora e
depois voltar aqui, notarei outras mudanças. Também é importante dar uma olhada em Sirrus e Achenar
para ver se eles estão se saindo bem no que estão fazendo. Quando eu retornar espero poder trazer algumas ferramentas, que irei precisar para explorar este mundo e seu
subterrâneo.
A abundância de matéria-prima bruta neste lugar me fascina. Eu devo retornar com algumas ferramentas mais especializadas, que talvez
eu precise para coletar este material. Eu presumo que devo retornar com o material básico primeiro, mas creio que tudo que eu preciso posso encontrar aqui mesmo. Há ferro em
abundância, e eu encontrei até titânio naturalmente. Eu estou louco para começar a trabalhar. Vou arrumar tudo hoje e amanhã darei uma boa olhada em tudo. Todo o meu material
está aqui, eu acredito que em breve eu irei estar apto a construir... E em um ano tudo poderá estar completo. Eu adoro trabalhar com minhas mãos, tanto escrever como construir.
Eu irei iniciar hoje uma ponte para cruzar o lago... - Nesta parte o Diário fica em branco e apenas pequenos trechos podem ser lidos.
Ainda irei decidir em qual área magnética eu irei trabalhar... Três metros não são suficientes para agüentar os raios entre... Que
força extraordinária... Esta foi uma das minhas mais prazerosas invenções. Eu estou extremamente...Eu nunca poderia imaginar que juntas elas viriam... Eu duvido... Talvez eu
possa trabalhar com quatorze em vez de oito... Estou completamente fatigado, mas estou tão feliz por completar... Amanhã...

Eu estou indo embora hoje para trazer Sirrus e Achenar
depois. Eu deixei ambos sozinhos em Channelwood. Eu acredito que ambos irão se divertir aqui, agora que a
Era está estável. Eu creio que a queda dos meteoros terminou e a atividade vulcânica está restrita a uma pequena parte da área. Mas os
tremores ainda ocorrem de forma bem moderada.
...Eu notei que curiosamente parte do que eu escrevi neste Diário desapareceu, em muitas páginas
não há nada mais. Muito do que eu escrevi nos últimos dezoito meses desapareceu. Felizmente eu tenho uma cópia com relatos sobre a maioria das minhas construções em outro
Diário. Eu ainda não entendo muitas das coisas misteriosas que ocorrem neste mundo, mas sei que há uma explicação lógica para responder
todas as minhas indagações. Eu creio que a maioria de minhas dúvidas serão respondidas quando eu pesquisar a outra Era, a qual eu pretendo
rumar em breve. Mas por enquanto eu aceitarei este misterioso mundo, o qual eu me orgulho tanto devido minhas realizações.
Observações:
Quase no final do Diário, Atrus informa que deixou
Sirrus e Achenar em Channelwood. Ao visitar e trabalhar
dezoito meses em Selenitic ele não desconfiou por nenhum momento, sobre as ações de seus dois filhos. E
Catherine por onde andava? Outra amostra da negligência na educação dos dois filhos. Isso não desculpa a natureza malévola deles, mas
talvez tudo tivesse sido diferente, se tanto Atrus como Catherine, tivessem passado mais tempo com
os filhos.
Quem diria que Selenitic já foi um lugar lindo... Ao chegar nesta
Era, nós apenas vemos um denso nevoeiro e estranhos sons ecoando na desolação. A parte mais interessante de
Selenitic é o sistema de cavernas, onde o transporte leva o explorador até o Livro de Ligação
para MYST. Contudo devo ressaltar a beleza da Floresta de Cristais. Estranhamente Atrus não cita
este intrincado amontoado de Cristais em seu Diário. Restando a conclusão, que talvez esta parte estivesse descrita nas páginas
que ficaram em branco. Até agora este desaparecimento é inexplicável, mas deve ser resultado da tinta usada no Diário.
Na edição do Real MYST é possível ver o amanhecer e o pôr-do-sol em
Selenitic, não com toda a beleza descrita por Atrus, mas ainda assim, é uma bela forma de admirar
esta Era através de todo aquele nevoeiro.
Para saber mais veja o Mapa de Selenitic
e leia a introdução de MYST I ou do Real MYST. Também leia sobre o FAQ de MYST I.
Final do Diário.
|
Diários de Atrus. Estes diários são a fonte mais importante de informação da Série MYST, e
do enredo envolvendo a família de Atrus. Nos diários é possível ler desde acontecimentos privados até relatos sobre a construção de
determinadas Eras. Um dos diários mais interessantes é aquele encontrado em MYST III Exile, onde
Atrus, escreve sobre a excursão feita até as ruínas da Cidade D'ni e a construção da
Era Releeshahn. Através destes diários também é possível traçar um perfil do autor e de sua família, principalmente nos trechos que
narram as ações de seus dois filhos, Sirrus e Achenar. Enfim, além de tudo isso, também é possível
encontrar muitas pistas sobre qual o procedimento que o jogador deve tomar em cada um dos jogos da Série. |