Texto e tradução livre por: Lorna Dannan.
Caderno de Pesquisador encontrado em Uru Ages Beyond MYST .
Início do Diário - Casamento.
Muito mais do que nas culturas modernas, na cultura D'ni todos os cidadãos
intimamente aguardam pelo ritual do casamento. De fato acreditava-se que o casamento era uma importante parte no relacionamento com Yahvo,
o Deus da cultura D'ni, sendo assim, muito deveria se fazer para por em prática a demonstração e confirmação deste
relacionamento. Esta cerimônia é tão ligada a Yahvo, que na língua D'ni a palavra que
significa casamento é a mesma empregada para significar um relacionamento pessoal com o grande criador, Taygahn. Traduzindo literalmente significa, amar com a mente,
o que implica em um profundo conhecimento do seu par, respeito e companheirismo, um amor incondicional de um com o outro.
Obviamente a influência da religião na cultura D'ni é enorme, como resultado o
casamento não pode ser algo simples e passageiro. O casamento é considerado como um comprometimento para a vida toda, e no caso dos D'ni,
pode significar trezentos anos ao lado do mesmo parceiro. Então o casamento não é uma decisão tomada as pressas. Um D'ni deve planejar sua
decisão e raramente um pedido de casamento é feito de supetão.
O lado bom disso é que registros mostram que raramente um casamento era arranjado pelos parentes, aparentemente a decisão era
de cunho individual e pessoal. O casamento não era permitido antes do D'ni completar vinte e cinco anos, uma espécie de adolescência
D'ni e entre parentes consangüíneos era estritamente proibido. Casamento entre indivíduos de classes sociais diferentes era visto com
certa restrição ou preconceito. Casamento com estrangeiros, principalmente no último reinado eram praticamente impensáveis. Contudo foram encontrados registros datados do
ano 9000 D.E. citando relacionamento entre D'ni puros com estrangeiros, alguns dos relacionamentos pareciam ser aceitos, contudo
há outros textos que dizem que seria melhor que filhos da união com estrangeiros, morressem ou que os mesmos nem chegassem a conceber um filho. Leia também texto sobre
Rei Hinash.
A cerimônia de casamento em si não é feita em um único dia. Semelhante as cerimônias hindus e islâmicas, o casamento é um ritual
que leva vários dias para ser efetivado. No caso dos D'ni a cerimônia dura cinco dias. Como sempre é óbvio a importância do número
cinco na cultura D'ni. Atendendo a todos os pré requisitos para a celebração, o convidado é visto como algo essencial para a festa,
recusar um convite ou não comparecer a festa é uma grave ofensa as famílias dos noivos.
O evento geralmente inicia com uma pequena cerimônia íntima na noite anterior ao Primeiro Dia de casamento. A cerimônia
sempre inicia na casa do noivo, ou na casa dos seus pais, e irá significar a confirmação da intenção de ambos em aceitar uma vida a dois como casal em frente dos parentes
mais íntimos. Nesta ocasião familiar o noivo deverá presentear a noiva com um objeto que confirmará a decisão de ambos, este presente não é especificado, a aceitação deste
presente pela noiva, confirma a sua decisão de unir-se ao noivo. Após o recebimento do presente do noivo, a noiva é escoltada por sua família, sendo mantida longe do noivo
até o dia da Cerimônia de União, realizada no Quinto Dia de casamento.
No Primeiro Dia os noivos em separado devem passar o seu dia com a família, neste dia eles devem entender que formarão uma
nova família juntos e que sua família de origem os libertará para esta nova etapa em suas vidas. Tradicionalmente este dia termina com uma lauta refeição compartilhada com
todos os membros da família, onde são trocados discursos e bênçãos direcionadas para os futuros marido e mulher e sua descendência.
No Segundo Dia os noivos em separado, devem passar o dia com seus amigos, tantos os casados como os solteiros,
tradicionalmente um dos amigos deverá receber o noivo ou a noiva em um grande jantar no final do dia.
O Terceiro Dia é reservado para passar o dia com seus cunhados e cunhadas, sogros e sogras, neste dia bênçãos são trocadas
e ambos são recebidos como membros da família um do outro. Novamente há uma tradicional e lauta refeição entre a noiva e os parentes do noivo e o noivo com os parentes da noiva.
No Quarto Dia os noivos em separado devem passar o dia meditando com Yahvo, onde
deverão refletir sobre o seu futuro perante o criador. Alguns vêem este dia apenas como uma formalidade, outros porém crêem que este é o dia mais importante do ritual do
casamento. Este dia deve ser passado com orações pedindo bênçãos para o futuro casal e seus descendentes. Eles também devem refletir sobre a vontade de
Yahvo, que acabou por uní-los no mesmo caminho, para viver suas vidas juntos pelo resto de toda a sua existência. Alguns escolhem passar
o dia com profetas, sacerdotes ou sacerdotisas da igreja oficial D'ni. Outros preferem passar o dia lendo livros sagrados ou
falando, orando ou rezando, para Yahvo.
O Quinto Dia e o dia da Cerimônia da União, a celebração do casamento em si. Parte do dia é reservada para a
preparação dos noivos, tanto fisicamente como epiritualmente. Para as famílias que não tem acesso a Eras Privadas, são
disponibilizados Eras de Casamento. Lugares específicos para a celebração do dia dos noivos. Para a alta classe, inclusive Mestres de Guilda
e nobres, geralmente é escolhido uma Era Familiar. Enfim, todas as famílias esperam atender os anseios de seus convidados e membros das
Guildas, proporcionando uma festa em Eras glamurosas, longe da Grande Caverna.
Como hoje em dia nas igrejas, os convidados são divididos em dois grupos, um ligado a noiva e outra ligado ao noivo. Um grupo
deve ficar a direita e outra a esquerda. No centro do local da cerimônia é erigido uma espécie de ilha, tudo leva a crer se tratar de um patamar mais alto, com uma ara em
formato triangular, ou seja, uma mesa com três lados, uma espécie de pedestal triangular. Tanto o noivo como a noiva devem aproximar-se desta ara, acompanhados de suas
respectivas famílias. Isto lembra a cada um que a família também estará representada nesta união. O noivo virá por um dos lados do triângulo, e a noiva virá pelo outro lado.
Então uma sacerdotisa ficará posicionada no terceiro lado desta ara triangular.
Tanto o noivo como a noiva, devem estar usando seus braceletes de nascimento, geralmente a primeira pulseira é dada no momento
do nascimento, posteriormente outra é dada no momento da celebração de sua idade de maturidade, por volta dos vinte e cinco anos, sua primeira fase de maturidade, já que
um D'ni somente é considerado adulto quando alcança os cinqüenta anos. Pois bem na ocasião do casamento estes braceletes devem ser trocados
entre ambos. Após a chegada do noivo e da noiva na plataforma triangular, o pai da noiva remove os braceletes da noiva e os entrega para o noivo. Este ritual significa que a
noiva está ofertando sua pureza e sua maturidade ao noivo. Então um discurso curto é proferido. Em seguida o pai do noivo faz o mesmo, entregando os braceletes do noivo para
a noiva.
Depois todos os familiares expressam seus desejos de felicidade. Simbolicamente o noivo e a noiva interligam suas mãos,
representando a aceitação e a união entre suas famílias. Então ambos, noivo e noiva entrelaçam seus quatro braceletes e os entregam a sacerdotisa. Enquanto a sacerdotisa
profere os desejos de Yahvo para os noivos, ambos põem as mãos sobre a ara triangular, depois ambos fazem seus votos em alto e bom som
para que a sacerdotisa os ouça. Geralmente depois dos votos a sacerdotisa lembra aos noivos o significado do Taygahn, conhecer e amar com a mente, e que o amor um
pelo outro, representará também o amor de ambos para com Yahvo.
Seguindo a cerimônia de comprometimento, a sacerdotisa dá a ambos novos braceletes, maiores e mais grossos, o noivo deverá usar
tal bracelete em seu pulso esquerdo e a noiva em seu pulso direito. Estes novos braceletes irão representar a pureza e a maturidade que ambos representavam em seus antigos
braceletes. Os D'ni deixam claro que agora é responsabilidade de ambos manter a pureza e a maturidade um do outro, os cônjuges
devem cuidar da vida e dos caminhos um do outro, sempre buscando o melhor. E eles estarão unidos tanto nas horas ruins como nas horas boas. Os braceletes são lembranças
diárias do comprometimento de ambos os cônjuges.
Depois que os novos braceletes são postos nos pulsos dos noivos, as mãos dos cônjuges são entrelaçadas com uma fina corda ritual,
então a sacerdotisa deve envolver as mãos e os braceletes. Nas mãos que ficaram livres a sacerdotisa põe um anel no último dos dedos, o quinto dedo, um símbolo dos dias de
celebração em especial do Quinto Dia.
Em seguida a sacerdotisa tomará o seu lugar próximo a ara ritual triangular. Ambos os noivos, agora casados, caminharão em direção
aos seus convidados onde uma taça de vinho estará esperando por ambos. Então eles proferirão uma oração em homenagem a Yahvo, em seguida
poderão beber a taça de vinho, simbolizando a festa de casamento. Durante toda a festa eles permanecerão com as mãos unidas pela fina corda ritual, lembrando a união eterna
entre os dois. Manter as mãos unidas durante toda a festa será difícil, mas isso também lembrará os momentos difíceis da relação que ambos irão iniciar. Seguindo as tradições
e o andamento da festa, a sacerdotisa irá oferecer um Livro de Ligação para o casal, que irá transportar-se para um das
Eras de férias, uma espécie de Era de lua de mel. A estadia geralmente é curta. Também fica claro que em
um eventual segundo casamento, este tipo de ritual, seguir para uma Era de lua de mel não é muito comum.
A corda usada para manter as mãos de ambos juntas durante a celebração, é considerada um item sagrado. Geralmente é guardado com
muito cuidado e reutilizada em momentos de celebração familiar. Alguns casais usam esta corda como adornos pessoais ou como objeto de decoração em suas casas.
Final do Diário.
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Diários do DRC D'ni Restoration Council. Estes diários são escritos por técnicos, cientistas
e estudiosos da cultura e história D'ni. Eles são encontrados em diversos sítios arqueológicos espalhados pela
Grande Caverna e são fontes de informações sobre a vida cotidiana do povo D'ni.
Este diário em particular foi escrito por Michelle Cunningham, não há informação sobre o cargo que ela ocupava no
DRC, ela poderia ser desde uma tradutora, até uma antropóloga ou socióloga. Este diário na verdade é um rascunho que futuramente seria,
aprovado ou não, pelo chefe do DRC, Dr. Richard Watson. Aparentemente as informações do diário foram
recolhidas em diversos livros e registros encontrados nas construções da Grande Caverna. |